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Machado de Assis VI – “A causa secreta”

Joaquim Maria Machado de Assis é considerado um dos mais importantes escritores da literatura brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, filho de uma família muito pobre. Trabalhou como colaborador de algumas revistas foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e seu primeiro presidente.  Suas obras podem ser divididas em duas fases: a romântica e a realista. Nesta última, faz uma análise profunda do ser humano como em “Dom Casmurro”. Morreu de câncer em sua cidade natal, no ano de 1908.

O conto “A causa secreta”  retrata a história de Fortunato, um médico que possui grande vontade de ajudar os doentes e tem como bom amigo Garcia, um médico recém- formado. Ambos decidem abrir uma casa de saúde. Com o decorrer do conto Fortunato se mostra um homem frio, até mesmo com a esposa, Maria Luiza. O clímax da história revela o porquê das estranhas atitudes desse homem, por isso o título “A causa secreta”.

Esse conto aborda vários assuntos como: amizade, violência, ciência e trabalho, segredos, sadismo. O autor cria, em meio a um cenário familiar, uma situação conflitante cheia de rodeios e tramas. Tendo como destaque a questão do sofrimento, da crueldade do ser humano.

Nesse conto,  Machado faz um de seus melhores “desenhos psicológicos”. Revela- nos a personalidade de uma pessoa capaz de realizar “boas ações” desde que estas lhe permitam o exercício de seu prazer.

 

Por Alice, Larissa, Thais L. e Yasmim ,  2ºB (Ensino Médio, Etec de Cotia)

 

Machado de Assis VII – “O Alienista”

O conto “O Alienista”, de Machado de Assis, foi publicado no livro Papéis Avulsos em 1882, embora seja considerado por muitos autores como sendo mais uma novela do que um conto. No entanto, muito além das distinções de gênero, trata-se de uma das melhores histórias já escritas na literatura brasileira.

A história gira em torno de Simão Bacamarte, um grande médico, que volta a sua cidade natal, Itaguaí, e resolve estudar psiquiatria. A partir dessa decisão, constrói a Casa Verde, um hospital para loucos que até então não tinham tratamento.

A Casa Verde fica conhecida em toda a cidade e sua fama chega até o Rio de Janeiro; com isso, doentes de toda parte são internados na Casa Verde. Além disso, o Dr. Simão Bacamarte começa a internar na Casa Verde, sem nenhuma piedade, qualquer habitante que apresente algum desvio de normalidade.

Nesse conto Machado de Assis critica as ideias que vigoravam na época, principalmente o cientificismo cego. O Alienista também pode ser visto como uma crítica ao poder, e a representação de como a influência de uma ideia pode dominar uma coletividade ignorante , causando consequências terríveis.

Por Karoline Tinel, 2º A Ensino Médio (Etec de Cotia)

Machado de Assis VIII – “Um apólogo”

Escrito por Machado de Assis e publicada em  1885 , “Um apólogo” é um conto que  retrata a conversa entre uma agulha e um novelo de linha . A discussão vai se desenrolando e as duas expõem seus argumentos de que seu trabalho é mais importante do que a da outra. Em um momento da discussão, a linha está muito cheia de si sem razão. Segundo ela, sua função era muito mais importante, já que era ela quem abria os caminhos para a linha. Já a linha, responde que também os batedores do Imperador abrem o caminho para ele, e nem por isso são mais importantes do que o Imperador.

E assim segue a discussão, até o conto terminar com o seguinte epílogo: “Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: ‘Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!’”, essa citação seria uma crítica à escravidão na época , pois embora os escravos fizessem o trabalho duro , os donos de fazendo levavam todo o mérito. Recomendo que leiam e consigam captar essa crítica que está “entre linhas” (e agulhas).

Por   Brenda Franca e Thais Vieira, 2º B Ensino Médio (Etec de Cotia)

 

Machado de Assis V – “Conto de escola”

A história se passa no século XIX, no tempo da palmatória na escola, e gira em torno de um garoto de classe média que mora no campo. Como todo garoto, ele frequentava a escola que era muito rígida naquela época. O conto começa com o menino indo para a aula e, chegando lá, recebe uma proposta do filho do professor, que lhe oferece uma moeda de prata caso ele aceitasse tal proposta. O garoto fica com receio de aceitar, pois tinha medo do severo professor que impunha medo nos alunos, mesmo assim ele aceita. Os acontecimentos para o homem eram simples e quase sem importância, mas para o garoto foram marcantes. Machado de Assis mostra a diferença de interesses de um adulto e de uma criança, assim como as desigualdades de classe social, abordando os temas do convívio e da moralidade. Também leva em conta as mudanças pelas quais todas as crianças passam, até ficarem adultas, por exemplo: quando criança uma garota pode ser muito apegada a um ursinho de pelúcia, ao crescer ela poderá perder o interesse por ele e passar a dar mais valor a maquiagens e amigos. Essas mudanças não são padrões e mudam de pessoa para pessoa. De forma rápida e pouco direta, Machado de Assis revela todos esses conceitos em um conto superficialmente simples.

Por Thais da Silva Rosa, 2ºB Ensino Médio (Etec de Cotia)

Padre Antonio Vieira II – “Sermão aos peixes”

Viera 1O “Sermão aos Peixes” de Pe. Antônio Vieira foi pregado três dias antes de sua viagem secreta do Brasil para Portugal a fim de denunciar como os índios estavam sendo tratados pelos colonos.

Nessa obra, Vieira relata os tipos de pessoas e classes sociais existentes na época, mas utiliza a palavra “peixes” quando na verdade estava a falar de homens.

Em seu contexto histórico, o sermão serviria de reflexão sobre a situação no Brasil: os peixes maiores comiam os menores, assim como os colonos se aproveitavam dos índios. O sermão teria a função de “abrir os olhos” dos colonos, alertando sobre o que estavam fazendo.

Se trouxéssemos para os dias de hoje, os peixes grandes poderiam ser vistos como os mais poderosos que se aproveitam dos mais fracos, sendo difícil mudar a situação. O povo, sendo os peixes menores, tentaria derrubar os peixes grandes, porém, estes teriam grande influência e poder sobre os menores.

Por Beatriz Maciel; July Samary e Letícia de Sousa Mariano (1° ETIM, Etec de Cotia)

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Machado de Assis IV – Conto “A cartomante”

Publicado na Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro, em 1884, o conto “A Cartomante” de Machado de Assis foi incluído no livro “Várias Histórias” e em “Contos: Uma Antologia” dado o seu sucesso.

O conto retrata um triângulo amoroso: Camilo e Vilela são amigos que se reencontram após anos afastados e, quando Camilo conhece Rita, esposa de Vilela, apaixona-se por ela. Com esse romance, Rita acaba ficando insegura e consulta uma cartomante para tentar saber o ruma de sua histórica com Camilo, porém a cartomante é uma charlatã.

Vemos que esse conto tem uma crítica forte às superstições, onde o ser humano muitas vezes acredita em qualquer coisa em um momento de desespero. São utilizadas muitas metáforas, ironias, críticas ao comportamento humano, características marcantes nas obras de Machado de Assis.

Ao lermos, também nos deparamos com as características realistas
machadianas, como a descrição psicológica profunda dos personagens. Isso torna a história mais interessante, gerando intrigas e criando certo suspense.

Por Giovanna Camillis, Isabella Mota, Lucas Fentanes Machado, Luis Henrique Nunes, Matheus Vieira e Victória Gomes (Ensino Médio, 2ºB – Etec de Cotia)

Mais um conto maravilhoso de Machado de Assis, um conto que mesmo escrito no século XIX, aborda a realidade de muitas pessoas até hoje, com suas crenças, problemas e “instintos humanos”. Trata-se de um triângulo amoroso entre dois amigos de infância e a esposa de um deles. Toda essa traição, marcada por uma cartomante manipuladora e, julgando pelo final do conto e sua moral, chega a ser até cruel. Um conto com a “marca” de Assis bem forte, encanta pelo fato da critica ao ser humano e suas ações. Um texto curto, escrito em 3ª pessoa e muito gostoso de ler. Leia não só esse, como vários outros contos de Machado de Assis.

Por Caroline de Jesus Novaes, Ana Lucia Ribeiro, Karina Fujiya, Eduardo Kostura, Arthur de Oliveira Carbone, Stephany Melo (Ensino Médio, 2ºA – Etec de Cotia)

Machado de Assis III – “Quem conta um conto”

Machado3Machado de Assis conta a história de um homem fofoqueiro que um dia experimentou do seu próprio veneno, pois, ao contar a seus amigos a notícia de uma suposta fuga da sobrinha de um senhor, descobre que o tal senhor estava por perto e o desmentiu. Não bastando isso, o senhor quis saber a fonte do boato e a narrativa se desenvolve a partir daí. O autor do conto critica nessa história algo do cotidiano de sua época que resiste até os dias atuais: a fofoca. Ele expõe sua crítica ao final, usando a frase: “Quem conta um conto aumenta um ponto.” O conto é divertido e apesar de ter sido escrito há quase duzentos, ele mostra uma situação vivida atualmente que pode ser observada na vida de todas as pessoas.

Por Aléxia Angel, Lara Padula e Taís Serra (Ensino Médio, 2º A – Etec de Cotia)

Padre Antonio Vieira I – Sermão de quarta-feira de cinzas

vieira 2“Já somos pó e não pode deixar de ser. Distinguimo-nos, os vivos dos mortos assim como se distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mortos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz.”

 Eis um breve resumo do “Sermão de quarta-feira de cinzas”  escrito por  Pe. Antônio Vieira no século XVII. O padre escreve verdades que poucos são capazes de entender. Muitos  se preocupam somente com a vida na terra, mas esquecem de que ela não é eterna. Nesse curto tempo em que vivemos aqui, não devemos nos apegar as coisas materiais e, para o autor, devemos cuidar da nossa alma.

É realmente mágico o modo como Antônio Vieira nos faz ver a vida, usando as palavras certas para nos mostrar coisas das quais já estamos cansados de saber, mas que muitas vezes nos esquecemos. Essa frase “Sois pó e em pó vos haveis de converter”, já nos é falada desde que nascemos, mas nos preocupamos tanto com a vida cotidiana e coisas materiais que nos esquecemos de verdades simples como essa, que Antônio Vieira faz questão de nos lembrar com sábias palavras.

 Por Beatriz Lima, Caroline Schimitt, Guilherme Teófilo e Thais Takabaiashi (1º ETIM – Etec de Cotia)

Machado de Assis II – Conto “Ideias de Canário”

machado2“Ideias de canário” é, sem dúvidas, mais um encantador conto de Machado de Assis. Para a época em que foi publicado, ano de 1889 no livro Páginas Recolhidas, ele apresenta uma temática atual, sendo um conto que se encaixa perfeitamente em nosso cotidiano.

A sutileza da crítica de Assis aos cientistas e ao mundo fechado em que vivemos é admirável, sem dúvidas é um conto para refletir. Outro fato é que a história é um tanto curta, apesar de carregada de significado, deixando o leitor, ao terminar a leitura, com um quê de “quero mais”.

Trata-se da história de um canário e de um ornitologista. O ornitologista pergunta várias vezes ao pássaro “o que é o mundo?” e recebe diferentes respostas, de acordo com as experiências do canário.

Vale a pena acompanhar essa curta e divertida leitura quando puder.

Por Ana Carolina,Beatriz Benedetti, Cássia Ribeiro, Júlia Fortes, Rafaela Teodoro, Erica Generoso (2ºA – Etec de Cotia)

Machado de Assis I – Conto “Pai Contra Mãe”

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Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Órfão, pobre e mulato, consagrou-se como escritor ainda em vida, também sendo um dos fundadores e presidentes da Academia Brasileira de Letras.

          O texto “Pai Contra Mãe”, ilustríssimo conto de sua autoria e publicado em 1906, se passa nos tempos imperiais do Brasil, especificamente em um Rio de Janeiro banhado à miséria e contrastes sociais. Apesar de suceder o período da escravidão, esse é o tema central da obra, logo abordado nas primeiras páginas de forma direta e espantosa (as origens humildes e os traços afrodescendentes do autor talvez sirvam como justificativa para tanta agressividade).