Category Archives: Poesia

Só bem acompanhado

mulher

E novamente

Aqui estamos eus,

Aqui somos sós,

Cobertos de sementes

Que sintetiza o profundo

E pluralizam os singulares.

E uma nova ideia a brotar,

De que ser só não é mal,

Que o efêmero é normal

E que tudo faz semtido.

O presente é a melhor meta.

E por fim tenho tito,

O que realmente nus completa

É o mundo.

(Por Beatriz Benedetti)

Apelo de esperança

esperança

Imagine o amanhecer

Um belo sol a nascer

E eu aqui, ao pé da cama,

Com meu filho a gemer

Dia 31 de outubro

Gritos apavorantes

Mas em seu rosto descem lágrimas

Por mais um cacho,

Saindo de sua cabeça, sentido ao carpete incolor

Meu Deus quanto terror

O homem de branco entra

Segurando nas mãos estruturas fininhas

36 agulhinhas lhe perfurando o sorriso

Lhe marcando a vida como se fosse um aviso

Como o tempo passou rápido

Nem vi que escureceu

O sol que antes brilhava, agora se escondeu

Levou junto a força do meu menino

Quanta radiação recebeu

Meu coração sensível

Revestido do mais forte aço

Vendo aquela criança

Dar a morte um forte abraço

Parece até invisível quando para Deus eu faço

Um último apelo de esperança

Não deu tempo de me limpar

Estou com sua cabeça nas mãos

E ele sem parar de vomitar o pouco de sopa que tomara

Antes de sua terceira sessão

Costumo dizer que as coisas

Acontecem apenas com quem aguenta

Deve ser culpa do destino e de suas profetisas

Que gostam de emoção,

De ver até onde minha vida esquenta

É difícil largar toda a família

Para cuidar de um filho só

Mas não me resta tempo para chorar

Meu bebê está sob cuidados de alguém que não sente dó

Seria egoísmo agora me lamentar

-“mamãe quero ir para casa, quero com outras crianças fazer folia na rua”

como me desampara essas palavras de agonia

Lute, mesmo ferido

Pois a vida é uma luta continua

Que só os fortes vão exaltar

Sonhe, querido,

Pois a vida é movida pelos desejos que a esperança,

Quer alcançar

(Por Bianca Roberta, Gabriela Delorenço, Lucas Oliveira, Vanessa Monteiro, 2° Etim)

Conformismo

conformismo

Alguns nascem,

Hoje em dia
A maioria se torna

Não conheço nenhuma das duas formas
Continuo assim,
Aqui dormindo (mas os ratos não)

Apenas sou um súdito da velha
E também, dessa nova realeza

E isso vai continuar,
E não luto contra
Só consigo ter pena das crianças.

(Por Beatriz Melo, Guilherme Teofilo, Suelen Magalhães, Myllena Hoffmann, 2º Etim)

Tudo igual como sempre foi

corrupção

Das mais altas palmeiras

Uma escolhida a liderar

A palmeira em que as outras devem se espelhar

É um espelho sujo e cheio de mágoas

Que nem águas podem lavar

A sujeira que mancha uma nação

É na verdade um movimento chamado corrupção

Que destrói a alma e só constrói ilusão

Uma espada de dois gumes

Que atravessa o coração

E vai se resultar

Na hora da eleição

Pois se partido fosse bom,

Ele seria inteiro

Construído por todos nós

E não governado pelo tal eleito

O eleito que com um braço abraça

E nos rouba com outro

Vamos recomeçar

Trazer de volta nosso ouro

E o orgulho que nos restou

Procurar o desaparecido tesouro

Que o poder nos tomou

(Por Bianca Roberta, Gabriela Delorenço, Lucas Oliveira e Vanessa Monteiro, 2º Etim)

Pessoas da Idade Média

idade média

Pareciam pessoas normais

Quando vistas de longe

Ao reparar mais de perto

Logo se via o certo

Com o nariz catarrento

E a cara perebenta

Olho remelento

Resultando em uma aparência nojenta

Unhas encravadas

Micoses e frieiras

Pernas ensebadas

E orelhas com cera

As mulheres eram nojentas

E os homens muito mais

As mulheres cuspiam na frente

E os homens escarravam atrás

Limpeza lhes faltava

Inclusive nos genitais

Eram tão sujos que

Tinham DST’s e doenças fatais.

(Por Beatriz Melo, Guilherme Teofilo, Suelen Magalhães, Myllena Hoffmann, 2° Etim)

Devir

devir

Culminar com chegada daquilo que se anseia
Mesmo quando não o faz consciente
Me torna tempestade do vento que fui, e
Se ela fez florescer, na simplicidade,
O Narciso,
Se ela fez florescer na surpresa,
A Cicuta
Talvez deixemos o relativismo vivo
E matemos Sócrates outra vez!
Culminar naquilo que me corrói
Me corrói menos do que as lembranças que sou
O Narciso continua Narciso sem a luz
Eu…
Culminação

(Por Natália Magalhães, 2º Etim)

Cantam

senzala

As senzalas cantam
Sim, com os murmúrios,
Com o bater das correntes,
E os gemidos ao longe (o tronco)
Choro de criança

As mães vem calá-las
Elas se agarram nas tetas
Procuram alimento
Mas até isso os brancos lhe tiraram.

(Por Beatriz Melo, Guilherme Teofilo, Suelen Magalhães, Myllena Hoffmann, 2º Etim)

Epitáfio

bailarina

Obsoleto, retrógrado, arcaico, evasivo,

Caótico, Feroz, nocivo, impetuoso, atroz

Condicionada a languidez

Entre lástimas debeladas

Por sobre uma valsa fúnebre

A Bailarina com sua argúcia melancólica

Bruxulear-se ao som de Beethoven

Acima da lápide de seu consternado amor

O céu já amanhecera ciente de seu célebre aziúme

Dissimulando por entre as nuvens sua imensa aliada esfera de gás

E refletindo seu lombroso cinza sagaz

(Por Sarah Rocha, 2 º Etim)

Cru

homem

O homem…Como o distinguir?

Estamos num meio, onde cada qual é igual!

Na natureza há equivalência entre as espécies

Assim, o homem que se julga superior

Não passa de mais um em nosso meio natural!

O homem em sua forma mais pura

Cego, surdo e mudo

Caçando para viver, ele vaga

Os animais a sua volta são indiferentes a sua presença

É tão natural, quanto qualquer outro animal!

O homem que desde a antiguidade

Tem suas ações determinadas pelo meio

Na sua sagacidade passa por cima de qualquer um

Para alcançar seus objetivos e estabilidade

 (Por July Samary e Gabriel Oliveira, 2º Etim)

Brasil de todas as gentes

brasil

Talvez palavras não sejam o suficiente

Para descrever essa tristeza que corrói o meu ser

O Brasil de todas as gentes

Que deixa de aparecer

Saudade da terra dos índios

Do canto do sábia

Saudade do Pindorama,

Saudade de nadar no mar

Lembro do meu tempo de menina

Natureza era ouro,

Escravo tesouro

Não tinha casa em colina

Só criança a brincar e cantar

Mas afinal o brasileiro, que

Nunca deixa de sorrir

É espírito guerreiro,

Ou não tem pra onde fugir?

(Por Bianca Roberta, Gabriela Delorenço, Lucas Oliveira, Vanessa Monteiro, 2ºEtim)