Machado de Assis I – Conto “Pai Contra Mãe”

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Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Órfão, pobre e mulato, consagrou-se como escritor ainda em vida, também sendo um dos fundadores e presidentes da Academia Brasileira de Letras.

          O texto “Pai Contra Mãe”, ilustríssimo conto de sua autoria e publicado em 1906, se passa nos tempos imperiais do Brasil, especificamente em um Rio de Janeiro banhado à miséria e contrastes sociais. Apesar de suceder o período da escravidão, esse é o tema central da obra, logo abordado nas primeiras páginas de forma direta e espantosa (as origens humildes e os traços afrodescendentes do autor talvez sirvam como justificativa para tanta agressividade).

          O conto nos mostra Cândido, um caçador de escravos fugidos. A complicação do enredo está no fato de que a mulata a ser capturada está grávida. Seria esta uma solução para Cândido: entregar a vida da mulata gestante para salvar a outra, a do próprio filho? Quais são os culpados, ou melhor, existem culpados quando se está apenas tentando salvar a vida de um filho? É um drama paralelo de um pai contra uma mãe. É provável que Cândido não ficaria com “peso na consciência”, achando justificável a troca de uma vida pela outra. E é então que percebemos uma notória e típica característica de Machado: a ironia.

Além disso, nessa obra é revelado muito da fase realista machadiana, quando são expostos, de forma análoga, os resquícios de uma realidade brasileira que não findou por completo após os ocorridos no final da década de 80. Desta forma, Machado critica não somente o sistema escravista em si: “Pai Contra Mãe” nos remete a uma espécie de soberania escravista e alienante sobre a qual todos nós, de uma forma geral, estamos submetidos, mas nem sempre nos damos conta.

Podemos ver como a pobreza que existia na sociedade levava pais a abandonar aquilo que mais amavam, vemos como o amor ao próximo deixava de habitar um meio perante medidas desesperadas para suprir alguma situação e, acima de tudo, vemos como a raça ariana, ainda que no limbo, sentia-se superior aos negros.  O pior é perceber que os regimes vigentes em nosso passado absurdo não são os mesmos, mas a injustiça e indiferença ainda se fazem presentes de muitas formas em nossa sociedade. Uma “virtude” herdada? Provavelmente.

Por Bianka Vieira, Bruna Mayara, Débora Thomaz e Ingrid Silva (2ºB – Etec de Cotia)

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