Apelo de esperança

esperança

Imagine o amanhecer

Um belo sol a nascer

E eu aqui, ao pé da cama,

Com meu filho a gemer

Dia 31 de outubro

Gritos apavorantes

Mas em seu rosto descem lágrimas

Por mais um cacho,

Saindo de sua cabeça, sentido ao carpete incolor

Meu Deus quanto terror

O homem de branco entra

Segurando nas mãos estruturas fininhas

36 agulhinhas lhe perfurando o sorriso

Lhe marcando a vida como se fosse um aviso

Como o tempo passou rápido

Nem vi que escureceu

O sol que antes brilhava, agora se escondeu

Levou junto a força do meu menino

Quanta radiação recebeu

Meu coração sensível

Revestido do mais forte aço

Vendo aquela criança

Dar a morte um forte abraço

Parece até invisível quando para Deus eu faço

Um último apelo de esperança

Não deu tempo de me limpar

Estou com sua cabeça nas mãos

E ele sem parar de vomitar o pouco de sopa que tomara

Antes de sua terceira sessão

Costumo dizer que as coisas

Acontecem apenas com quem aguenta

Deve ser culpa do destino e de suas profetisas

Que gostam de emoção,

De ver até onde minha vida esquenta

É difícil largar toda a família

Para cuidar de um filho só

Mas não me resta tempo para chorar

Meu bebê está sob cuidados de alguém que não sente dó

Seria egoísmo agora me lamentar

-“mamãe quero ir para casa, quero com outras crianças fazer folia na rua”

como me desampara essas palavras de agonia

Lute, mesmo ferido

Pois a vida é uma luta continua

Que só os fortes vão exaltar

Sonhe, querido,

Pois a vida é movida pelos desejos que a esperança,

Quer alcançar

(Por Bianca Roberta, Gabriela Delorenço, Lucas Oliveira, Vanessa Monteiro, 2° Etim)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>